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Adequação das Pontes da Rodovia SP - 595
ao Gabarito de Navegação da Hidrovia Tietê-Paraná

Resumo

Este trabalho aborda as peculiaridades observadas durante o desenvolvimento do projeto e das obras de reconstituição das pontes São José dos Dourados e Barrageiros, ambas localizadas na Rodovia SP-595, região noroeste do Estado de São Paulo.

A ponte São José dos Dourados teve sua estrutura recuperada, em função de abalroamento provocado por embarcação em abril de 1997 que ocasionou a destruição de um pórtico e dois tabuleiros da superestrutura.

O projeto de reconstituição da ponte dos Barrageiros foi desenvolvido prevendo a substituição de dois vãos e respectivo pórtico intermediário com estrutura de concreto por um único vão com estrutura metálica.

As novas superestruturas das pontes foram concebidas em placas ortotrópicas suportadas por treliças invertidas no primeiro caso e arcos invertidos no segundo. 

Introdução

A hidrovia Tietê-Paraná é um sistema de navegação composto principalmente por trechos dos rios Paraná, Tietê , piracicaba, Grande e Paranaíba, perfazendo 2400 km de rotas navegáveis, sendo 1642 km de rotas principais e 758 km de rotas secundárias.

Atualmente, a hidrovia transporta aproximadamente 5,7 milhões de toneladas anuais de cargas, como farelo, soja, grãos de ordem geral, fertilizantes, calcário agrícola, madeira, combustíveis e materiais de construção (ferro, cimento, cerâmicas, etc).

Com a maturação do Mercosul e a participação fluvial no sistema, adquirirá grande importância a carga geral unitizada em "pallets" e contêineres, esperando-se assim uma rápida expansão da carga movimentada e projetando-se para o ano 2010 o início do processo de saturação da hidrovia, com 20 milhões de toneladas transportadas.

A hidrovia comporta comboios simples de 2200 toneladas ou duplos de 4400 toneladas de capacidade, operando com velocidades entre 12 e 14 km/h. São comboios de empurra, conduzidos por rebocadores em sua região posterior ou de popa, fator este que dificulta, em razão da ocorrência de ventos e ondas nos reservatórios, a passagem sob as inúmeras pontes existentes ao longo da hidrovia.

Assim sendo, têm sido registrados nos últimos anos, alguns casos de abalroamentos de embarcações em pilares de pontes, causando até mesmo a ruína dos mesmos em determinadas situações. Ressalta-se que muitos trabalhos vêm sendo desenvolvidos a fim de atenuar este problema, tanto com relação à amoliação de gabaritos horizontais sob as pontes, com a demolição de pilares e duplicação de vãos, quanto com relação à uma melhoria e padronização dos equipamentos de manobra das embarcações.

O presente artigo trata de uma dessas ocorrências com a destruição de um pórtico e conseqüentemente dois tramos do tabuleiro na ponte São José dos Dourados, e da ampliação do gabarito horizontal da ponte do Barrageiros, ambas situadas sobre a referida Hidrovia, na região Noroeste do Estado de São Paulo.

Características gerais das pontes

A ponte sobre o rio São José dos Dourados está localizada na rodovia SP-595, km 62, município de Ilha Solteira - SP.

Tendo uma extensão total de 563 metros, é constituída por 16 tramos isostáticos, sendo 14 vãos de 35,5 metros, 2 vãos de 42,2 metros e 2 lajes de aproximação de 48 metros.

A superestrutura de cada vão com 5 vigas pré-moldadas e laje de concreto apresenta largura de 14,60 metros e apoia-se em pórticos transversais, constituídos por vigas de 2,30 metros de altura, pilares circulares de 2,20 metros de diâmetro com cerca de 40 metros de altura.

Estes pórticos são ainda travados em 3 níveis, através de vigas transversais de travamento de 0,50 metros por 1,20 metros de altura. A infraestrutura, segundo o projeto original de 1970 constitui-se por sapata direta assente em rocha.

A ponte dos Barrageiros situa-se sobre o rio Tietê na Rodovia SP595, km 20, no município de ltapura - SP.

Apresenta comprimento total de 559,40 m (12 vãos isostáticos de 40 m e 2 encontros de 39,70 m) e foi projetada em sua superestrutura com 4 vigas pré-moldadas protendidas e 5 transversinas protendidas, configurando um tabuleiro de 8,0 m de pista e passeios laterais de 1,0 m.

A infraestrutura em cada apoio foi projetada sobre dois tubulões de 1,30 m de diâmetro apoiada sobre basalto compacto, sendo a mesoestrutura em pilares ligadas por travessa de apoio configurando um pórtico onde se apóiam as longarinas.

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Fig. 1 - Vistas longitudinal e transversais do novo vão com estrutura metálica em treliça invertida da ponte São José dos Dourados

Projetos de reconstituição e adequação das pontes ao gabarito de navegação

A ponte São José dos Dourados teve sua estrutura recuperada, em função de abalroamento provocado por embarcação em abril de 1997.

Na ocasião foram destruídos dois vãos, um de 42,20 m e outro de 33,50 m. 0 projeto foi concebido visando à construção de um único vão metálico de 75,70 m de comprimento, com a nova superestrutura em placa ortotrópica de 14,60 m de largura, suportada por treliças verticais invertidas de 7,00 m de altura, conforme ilustrado na Figura 1.

A opção por treliças invertidas nesta ponte deu-se em função da necessidade de projetar-se um "bico" de lançamento também em treliça para vencer o novo vão na fase construtiva do lançamento longitudinal, uma vez que não se dispunha de nenhum apoio intermediário para viabilizar esta operação.

O projeto de reconstituição da ponte dos Barrageiros foi desenvolvido prevendo a substituição de dois vãos de 40 m de comprimento em estrutura de concreto por um único vão de 80,00 m, com a nova superestrutura em estrutura metálica constituída por uma placa ortotrópica com 11,00 m de largura, suportada por tirantes ligados a dois arcos superiores de 12,50 m de altura, conforme apresentado na Figura 2.

Para esta ponte, foi possível a escolha de arcos invertidos e não treliças como sistema estrutural de suporte para os tabuleiros, em razão das condições normais de utilização em que a mesma se encontrava, viabilizando o lançamento longitudinal que como apoios os pórticos da própria ponte.

Em função de ajustes para adequação do gabarito vertical da hidrovia (vão luz sob a ponte), foi necessário deslocar-se a rota de navegação para a região da extremidade direita da ponte (vista de montante), uma vez que a mesma era mais elevada nesses vãos.

Assim, foi escolhido para demolição o pórtico composto dos pilares T23/T24 e os seus respectivos tabuleiros, que foram removidos mediante implosões parciais de cada um de seus elementos estruturais na fase executiva prevista para tal.

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Fig. 2 - Vistas longitudinal e transversais do novo vão com estrutura metálica em arco invertido da ponte dos Barrageiros

 



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