A demanda interna por aço deve continuar elevada nos próximos meses, na avaliação do mercado, embora os patamares de crescimento devam ser mais modestos do que os apresentados na primeira metade do ano. As vendas domésticas do insumo cresceram 55,3% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 2 milhões de toneladas, e tiveram expansão de 12,7% em relação a abril, conforme dados do Instituto Aço Brasil (IABr) divulgados esta semana. No acumulado do ano, as vendas de aço aumentaram 57,5%, para 8,8 milhões de toneladas.
No setor de construção civil, as obras do mercado imobiliário, incluindo o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a produção dos empreendimentos direcionados para a Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016 vão manter elevada a demanda por aços longos no segundo semestre.
Apesar da volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre bens duráveis - automóveis e linha branca -, espera-se continuidade da demanda em alta por aços planos. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de veículos aumentaram 1,7% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 251,1 mil unidades, mas tiveram queda de 9,6% em relação a abril. Ainda assim, a entidade mantém sua estimativa de vendas de 3,4 milhões de unidades em 2010, 8,2% acima do total registrado em 2009.
Grande parte do crescimento da demanda interna por aço será revertida em expansão das vendas domésticas do insumo, segundo analistas, mas se espera que uma parcela seja direcionada também às importações. O consumo aparente de produtos siderúrgicos no Brasil foi de 11 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses do ano, 70,5% acima do mesmo intervalo de 2009, de acordo com dados de IABr. De janeiro a maio, as importações somaram 2,312 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos, volume 149,1% acima do verificado no mesmo período do ano
passado.
O aço nacional é mais ou menos competitivo conforme o prêmio, ou seja, a diferença entre os valores internacionais e domésticos do insumo. O mercado espera interrupção das quedas dos preços internacionais do aço no terceiro trimestre, diante dos novos aumentos do minério de ferro e do carvão. O ritmo das reduções de preços internacionais começou a desacelerar nas últimas semanas e já se espera que os valores possam se estabilizar ou voltar a subir. Se confirmado, esse movimento é positivo para as siderúrgicas brasileiras, que são favorecidas também pelas alíquotas de importação de aço, da ordem de 12% a 14%, de acordo com o tipo de produto.
Segundo fonte que participou de reunião do setor siderúrgico com representantes do governo na semana passada, as siderúrgicas de aços planos - Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas e ArcelorMittal - informaram aumentos médios da ordem de 10% no preço do insumo nesta nova rodada de reajustes. Durante a divulgação de resultados do primeiro trimestre, Usiminas, CSN e Gerdau sinalizaram que iriam elevar os preços do aço em decorrência das altas esperadas para as principais matérias-primas. Mas, conforme uma fonte do segmento de distribuição, ArcelorMittal, CSN e Usiminas postergaram as altas que começaram a ser anunciadas este mês, como consequência dos estoques elevados de aço nas mãos dos distribuidores e da cadeia consumidora e das quedas registradas este ano no mercado internacional.
Em relação à produção brasileira de aço bruto, os dados do IABr apontam 2,9 milhões de toneladas em maio, volume 50,8% superior à de maio do ano passado e 5,5% superior à de abril. No ano, a produção de aço bruto aumentou 56,9%, para 13,5 milhões de toneladas. O crescimento esperado para o Brasil em 2010, da ordem de 7%, deve continuar se refletindo na expansão da demanda por aço e consequentes aumentos da vendas e da produção.
No mundo, a produção de aço bruto de 66 países que reportam informações à Associação Mundial de Aço (Worldsteel) somou 124 milhões de toneladas métricas em maio, 29,1% acima do mesmo mês do ano passado e 3,1% superior à de abril. No acumulado de janeiro a maio, o volume produzido cresceu 29,8%, para 586,059 milhões de toneladas.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 30/06/2010