Obra impressionou por sua agilidade e qualidade e o assunto ganhou evidência pelo mundo todo.

Quem já se deparou com alguma reforma em casa sabe como o processo é demorado, composto por diferentes etapas. Quando se trata de uma nova construção, então, não é raro que ela demore semanas ou até meses para ser concluída. Imagine, então, um novo hospital, com capacidade para 1.000 leitos, dois andares e área de 34 mil m². Para fins de comparação, o gramado do estádio Serra Dourada, em Goiás, que é um dos maiores do Brasil, tem 8.250 m², ou seja, o hospital teria mais de 4 vezes a área do gramado apenas em sua área construída.

Não seria absurdo pensar que uma obra dessas proporções levasse em torno de meses para ficar pronta, já que é preciso não apenas levantar a estrutura como preparar sua fundação e fazer toda a infraestrutura elétrica, hidráulica e pneumática, além da instalação dos equipamentos e o posicionamento do mobiliário. Porém, a China veio para provar o contrário, já que o hospital Huoshenshan (que significa montanha do deus do fogo) foi construído em nada mais que 10 dias.  Já o hospital Leishenshan (montanha do deus do trovão), com 1,6 mil leitos e que cobre 219 mil m², foi construído em 7 dias e levou apenas 15 dias para ser entregue. Ambos ficam na cidade de Wuhan, província de Hubei, epicentro da epidemia do novo Coronavírus (2019-nCoV), e foram construídos de modo que fosse possível tratar da população e ajudar no combate contra a doença.

Afinal de contas, como os chineses conseguem fazer isso? Foi provado que é humanamente possível proceder com tal construção, mais quais são os elementos envolvidos? E por que o mesmo não acontece no Brasil?

Vamos debater sobre essas questões, de modo a entender melhor o que está por trás de um feito tão marcante para a área da engenharia civil.

Como a China conseguiu construir um hospital tão grande e tão rápido?
O país asiático é referência no que tange à agilidade na construção civil, sendo que Huoshenshan e Leishenshan não foram os primeiros casos que comprovam tal afirmação. Entre os anos de 2002 e 2003, o país também sofria com a contaminação do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Severe Acute Respiratory Syndrome), o Sars, que deixou 774 mortos em todo o mundo. Na ocasião, a China também precisava de cuidados médicos emergenciais em busca de conter aquele vírus. Então, foi construído um hospital na cidade de Pequim, o qual tinha 508 enfermarias e 1.000 leitos, próximo ao Sanatório Xiaotangshan.

De acordo com o China Internet News Center, a construção foi concluída em apenas 8 dias, sendo que se iniciou em 23 de abril, foi aceita no dia 29 e já estava pronta no dia 30. À época, aquele era o maior hospital de doenças infecciosas do mundo, que alegadamente estabeleceu um recorde de velocidade na construção. Se o hospital Xiaotangshan foi construído no ano de 2003 e levou apenas 8 dias, em um terreno de 403 mil m², não é difícil acreditar que, depois de 17 anos, uma obra de tamanha dimensão pudesse ser construída ainda mais rapidamente, o que não deixa de ser fascinante.

Tecnicamente, como os hospitais de Houshenshan e Leishenshan foram construídos tão rapidamente?

Os números chamam a atenção, de fato, mas há motivos que explicam tal agilidade. Os dois principais são os seguintes:

Imensa disponibilidade de mão de obra e de equipamentos

O hospital Xiaotangshan, construído em 2003, teve aproximadamente 4 mil pessoas trabalhando para torná-lo realidade, número fantástico de profissionais. Não foi muito diferente com os dois hospitais construídos em 2020.

Foram aproximadamente 7 mil pessoas em Huoshenshan, que trabalharam 24 horas por dia para conseguir tornar o projeto realidade. Divididos em turnos, o trabalho foi realmente ininterrupto, o que é essencial para uma obra desse porte. Em relação aos equipamentos, também é importante comentar que eles estavam disponíveis aos montes. Nas imagens da obra, que foram divulgadas ao vivo na construção de ambos hospitais, era possível ver dezenas de escavadeiras trabalhando ao mesmo tempo para agilizar o processo.

Técnicas de construção aplicadas

O concreto é um dos principais elementos da maioria das construções, e é sabido que ele deve secar adequadamente para que seja possível continuar a obra. Isso teria feito com que ambos hospitais levassem muito mais tempo para ficar prontos. A agilidade exemplar se tornou possível graças ao uso da técnica de construção modular pré-fabricada. Os módulos de concreto já chegam prontos ao canteiro de obras e precisam ser montados in loco, quase como se fosse uma caixa, em que as partes vão sendo acopladas rapidamente.

Isso não significa que a segurança e a qualidade das obras sejam afetadas, pelo contrário. O produto final, cujo desempenho é testado previamente, traz resultados tão confiáveis quanto na alvenaria tradicional, com a diferença de que o ganho de tempo notável.

Este, inclusive, é um mercado que está em franca ascensão. A MarketWatch divulgou dados de um relatório da Kenneth Research, os quais mostram que o mercado global de construção modular, que foi avaliado em US$ 108,89 bilhões em 2018, deve chegar a US$ 181,2 bilhões até 2026.

Construção rápida já é uma realidade

É inegável que a tecnologia teve um apoio fundamental na construção dos dois hospitais de Wuhan, bem como que a oferta de mão de obra foi muito grande, mas ambos recursos fazem parte de nossa realidade e estão disponíveis por vários lugares do mundo.

Profissionais de construção civil especializados nas mais diferentes áreas das obras não faltam, bem como equipamentos que possibilitam colocar os planos em prática, além de técnicas como a construção modular, que possibilitam um ganho incomparável em termos de tempo. É claro, porém, que isso demanda um grande investimento financeiro, o qual nem sempre está disponível por parte dos interessados nas obras, a menos que haja um bom planejamento prévio, que precisa contemplar, inclusive, a possibilidade de se deparar com situações inesperadas, como o surto de Wuhan. A China deu um grande exemplo de agilidade e qualidade em termos de construção civil, e ao considerar que os recursos utilizados também existem em outros países, não é de se espantar que situações similares apareçam daqui em diante, inclusive no Brasil, que tem potencial de tornar isso em realidade

Fonte: Mérito Comercial

CAROLINA PERES
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