Parte 2 – Muros de Flexão


om o aumento crescente no número de vias, surgem entraves geográficos que precisam ser contornados para que seja passível a realização de uma obra. São em situações como essa que se faz necessário o uso de muros de contensão. Os muros de contenção, também chamados de muros de arrimo, são estruturas rígidas indicadas para a estabilização de encostas, conforme definido no artigo sobre muros de contensão (parte 1), que pode ser encontrado no link. Esses muros são classificados em muros de gravidade e muros de flexão. Neste artigo, especificamente, em complementação ao artigo citado acima, serão apresentados os muros de flexão.

Muros de Flexão

Contando com uma estrutura capaz de resistir às solicitações impostas pela massa de solo, diferente dos muros de gravidade, os muros de flexão contam com um arranjo estrutural mais delgado, isto é, mais esbelto. Para sua execução, esta modalidade construtiva exige um espaço menor e por isso pode ser aplicado em contenções com limitações geográficas mais expressivas. Contudo necessitam de peso extra para garantir a sua estabilidade. São, desta forma, largamente empregados em aterros e reaterros. Esses muros de arrimo possuem uma geometria em forma de “L”, resistindo aos esforços por meio da flexão. Este modelo de construção consiste, basicamente, da união de duas lajes, dispostas perpendicularmente. O material empregado para confecção da estrutura é majoritariamente o concreto armado e, por isso, a armadura deve ser calculada tendo em vista a altura da edificação. Para muros com alturas consideráveis, são empregadas estruturas auxiliares que aumentam a estabilidade, e como consequência direta, evitam o seu tombamento. Assim, é possível classificar os muros de flexão segundo os arranjos auxiliares presentes nas edificações ou a ausência destas estruturas.

  • Muro de concreto

    Pode-se dizer que este modelo é o mais simplório pois dispensa o uso de estrutura auxiliar de estabilidade. Essa modalidade de contenção é a mais convencional dentre os muros de arrimos por flexão, sendo derivada da ausência dessas estruturas e por isso também evidencia maior limitação quanto à altura de contenção. Apresenta basicamente duas lajes em concreto e uma armadura em aço e podem ser executados em loco ou confeccionados com peças pré-moldadas.

  • Muro de bloco armado

    Essa contenção é constituída essencialmente por blocos de cimento preenchidos com concreto e barras de aço. É um método construtivo de simples execução e mais seguro que algumas modalidades construtivas como, por exemplo, o muro de alvenaria de pedras. Além disso, o muro de bloco armado é uma alternativa de custo reduzido quando comparado aos demais métodos de contenção por flexão. Similar ao muro de concreto armado, esta modalidade não consegue suportar grandes alturas.

  • Muro de flexão ancorado

    O muro de flexão ancorado é uma edificação que faz uso de tirantes ou chumbadores como ferramenta auxiliar no processo de contenção da massa de solo. Essa modalidade construtiva é comumente empregada quando há limitações do espaço para a construção. Para a execução desta modalidade é necessária atenção especial para que haja a transmissão dos esforços pelos tirantes.

  • Muro de flexão com contrafortes

    Essa edificação apresenta metodologia construtiva muito similar ao muro de concreto armado, contudo, apresenta em sua estrutura um mecanismo auxiliar de sustentação. Esse instrumento auxiliar é denominado contraforte e confere a esta modalidade construtiva uma característica que o difere significativamente do muro de concreto armado convencional: a altura da edificação. O contraforte é um reforço construído no lado oposto à massa de solo e auxilia na contenção, que é realizada pela parede vertical. Em sua maioria apresenta geometria triangular, tendo como principal objetivo suportar as solicitações geradas pelo empuxo do solo.

  • Muro de flexão com vigas e pilares

    Este muro é confeccionado in loco. Consiste em edificar vigas e pilares em concreto armado ligados à uma sapata em sua fundação. É uma construção cuja metodologia construtiva é bastante simplória e que posteriormente é fechada com blocos convencionais ou qualquer outra estrutura de vedação. O diferencial é o baixo custo associado quando comparado às demais modalidades construtivas. Como desvantagem, entretanto, apresenta uma menor resistência, o que gera grandes limitações.

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