Parte 1 – Muros de Gravidade


A infraestrutura, ferramenta indispensável ao crescimento econômico, é composta fundamentalmente por três elementos indissociáveis: transportes, energia e serviços fundamentais. Sendo assim, é possível afirmar que a prosperidade de uma nação é, muitas vezes, reflexo direto do grau de investimento realizado em infraestrutura. Dentre esses elementos está o setor dos transportes, que é bastante requerido pois possui relação direta com a logística de mercadorias, transporte de pessoas e prestação de serviços. Com a necessidade de reduzir cada vez mais os prazos, a execução de novas vias com traçados otimizados está se tornando uma prática recorrente. A medida que o número de vias cresce, não é difícil notar que os entraves geográficos, sejam eles naturais ou pela gerados por iniciativa humana, se tornam frequentes e necessitam serem contornados para que seja possível a realização da obra. Uma construção de engenharia empregada nessas circunstâncias é o muro de contenção. O muro de contenção ou muro de arrimo é uma estrutura rígida indicada para a estabilização de encostas. Essas contenções podem ser edificadas totalmente na vertical ou levemente inclinadas, fazendo uso, em sua base, de fundações rasas ou profundas. Majoritariamente, os muros de arrimo são classificados em: muros de gravidade e muros de flexão.

Muros de Gravidade

Os muros de gravidade são assim chamados, pois utilizam seu próprio peso para conter os empuxos horizontais provocados pelo desnível geográfico. Sua aplicação é restrita a encostas de pequenas dimensões, pois demandam grande quantidade de espaço para suportar as solicitações. Dentre os muros de arrimo, há uma série de técnicas construtivas distintas, que podem ser aplicadas em conformidade com as condições impostas pelo terreno em que será edificada a obra de contenção. Dentre as metodologias construtivas empregadas nos muros de gravidade destacam-se: muro de alvenaria de pedra, muro de concreto ciclópico, muros de gabião, muro de terra armada e o muro em fogueira (crib-wall).

  • Muro de alvenaria de pedra

    Pode-se dizer que este modelo é o mais arcaico e por isso é bastante utilizado. Essa modalidade de contenção é composta, basicamente, por pedras argamassadas apoiadas sobre uma fundação. Sua simplicidade construtiva e baixo custo, especialmente quando há disponibilidade dos recursos empregados na região, é um forte atrativo para sua aplicação.

  • Muro de concreto ciclópico

    Essa contenção é constituída essencialmente por concreto e rochas de tamanhos diversos. O muro de concreto ciclópico apresenta uma execução fácil, na qual são preenchidas formas pelos materiais que o compõe.

  • Muro de Gabião

    Essa modalidade construtiva é comumente empregada ao longo de rodovias, pois apresenta uma execução rápida e um excelente sistema de drenagem minimizando os esforços advindos da água infiltrada no solo. É constituído, sobretudo, por gaiolas metálicas duplamente galvanizadas e que contam com uma cobertura de PVC auxiliando de forma paralela no processo de proteção contra a oxidação da estrutura metalizada. Essas gaiolas são preenchidas manualmente, fazendo uso de rochas em seu interior. O destaque dessa estrutura é a capacidade de suportar recalques diferenciais.

  • Muro de terra armada

    O muro de terra armada é uma excelente estrutura de contenção, pois necessita de pouquíssimo espaço para a sustentação da massa de solo. É uma estrutura flexível que faz uso do peso do próprio aterro para garantir a resistência necessária que a edificação solicita. Para isso, são dotados de estruturas fixadas às peças pré-moldadas e estas, por sua vez, são dispostas horizontalmente. Sob tais estruturas é realizado o aterro. Este tipo de muro de arrimo é vastamente empregado em obras rodoviárias e ferroviárias.

  • Muro em fogueira (CRIB WALL)

    Este muro pode ser confeccionado a partir de estruturas pré-moldadas em concreto armado, estruturas metálicas ou até mesmo madeira. Sua execução é relativamente simples e consiste em edificar estruturas em forma de “fogueira” justapostas que são interligadas horizontalmente. No interior dessa estrutura, são inseridos materiais granulares, contudo, a granulometria desses materiais deve ser grande o suficiente para que não sejam arrastados da porção interna da edificação. O diferencial dessa estrutura é a capacidade de se acomodar a possíveis recalques em suas fundações.