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A proteção superficial de taludes com o uso de concreto aplicado manualmente ou por máquinas de projeção é uma solução simples e eficiente para manter a estabilidade do maciço, evitando-se a erosão e o deslizamento do mesmo por ação das águas incidentes. A aplicação manual é de fácil execução, sendo indicada para o revestimento de pequenas áreas ou quando o local a ser tratado for de difícil acesso para as máquinas de projeção. Este artigo vai tratar deste último sistema, ou seja, a aplicação manual.

O revestimento de taludes com concreto aplicado, consiste na aplicação de uma mistura de concreto sobre uma tela metálica soldada, sendo esta devidamente ancorada na área a ser tratada. O concreto é constituído por brita 0 (zero), areia lavada e cimento, devendo a mistura ser bem dosada. O correto preparo da superfície a ser revestida é de fundamental importância para a qualidade e durabilidade do produto acabado, devendo estar firme, coesa e isenta de matéria orgânica (folhas, raízes, caules, etc.) ou qualquer outra substância que prejudique a aderência do concreto ao substrato.

  

Se necessário, eventuais irregularidades no substrato podem ser corrigidas com a aplicação de uma mistura de solo-cimento, conferindo assim, uma superfície de efeito geométrico regular para aplicação do concreto. Estando pronta a superfície a revestir, procede-se à execução dos chumbadores. Este passo consiste na perfuração do solo por meio de trado manual ou outra ferramenta apropriada, a uma profundidade definida em projeto, sendo usualmente de 0,5 a 1 metro, seguida do preenchimento do furo com nata de cimento ou concreto, e inserção de uma barra de aço com diâmetro de 1/2″. A finalidade do chumbador é fixar a tela metálica, evitando que o conjunto (tela-concreto) deslize sobre a superfície.

A tela metálica empregada tem a finalidade de absorver as tensões provenientes de dilatação e retração da massa de concreto, evitando o seu fissuramento, o que é indesejável, pois deixaria de impermeabilizar a superfície revestida. A tela soldada pode ser do tipo Telcon Q-61, malha quadrada de 15 x 15cm e diâmetro dos fios iguais a 3,4mm ou conforme indicado em projeto.

Uma vez terminada a execução dos chumbadores, aplica-se um chapisco sobre a área a ser revestida, com o objetivo de melhorar a aderência na interface substrato-concreto. Posteriormente, a tela metálica é estendida sobre a área e fixada nos chumbadores, dando-se início à aplicação do concreto. Nesta operação deve-se dar atenção especial para o recobrimento da armadura, evitando assim, a corrosão da mesma. Na aplicação manual o pedreiro deve exercer uma pressão com a colher ou desempenadeira durante o espalhamento do concreto, com o objetivo de adensar a massa e promover a aderência do conjunto.

Um outro item importante que não pode ser esquecido é a colocação de drenos de PVC na área a ser revestida. Estes drenos, com diâmetro geralmente de 50mm, são colocados a cada 4m², devendo ser envoltos por tela de nylon ou geotextil bidim OP-20 ou similar, na área de contato com o solo.

A espessura final do revestimento deve ser homogênea e seguir as indicações do projeto. É corrente a adoção de espessuras de 5 a 6cm, sendo que a textura da superfície acabada não deve ser áspera e porosa, pois isto propiciaria a absorção de águas incidentes.

Deve-se evitar o simples ato de revestir o talude somente com o emprego de argamassa de cimento e areia ou concreto, pois resulta em patologias. No entanto, não é difícil encontrar áreas consideráveis onde o revestimento foi aplicado sem a mínima observância às boas normas de engenharia. Ausência de tela metálica, chumbadores, drenos, dosagem inadequada e preparo deficiente da superfície são mais comuns do que se imagina. Como resultado, tem-se uma fissuração generalizada, com a conseqüente perda de desempenho do produto final e redução da vida útil do mesmo. A foto ao lado ilustra bem o que acabou de ser dito, onde uma grande área foi revestida com uma fina camada de argamassa de cimento e areia aplicada diretamente sobre o talude. Não havia drenos de PVC e o sistema de captação das águas de chuva era deficiente. Percebe-se o crescimento de vegetação nas caixas coletoras de águas pluviais.

Um outro problema bastante comum é a deterioração do projetado no pé do talude. Está patologia pode ser evitada com a construção de uma viga ou mureta de coroamente, devidamente armada e ancorada no solo de fundação. Neste caso, a tela do projetado deve ser “amarrada” na estrutura de concreto.

Para finalizar, a solução para proteção superficial de taludes aqui apresentada, conforme já foi dito, é bem simples e de fácil execução. A qualidade, eficiência e durabilidade do revestimento vai depender do projeto adotado, que pode ser contemplado com obras de drenagem e/ou contenção complementares, assim como da qualidade dos materiais e mão-de-obra empregada.

Autor: Engenheiro Jorge Henrique Pezente

Fonte: Escolher & Construir